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Razões para a inanição espiritual cristã:

James Innell Packer - geralmente citado como J. I. Packer - foi um teólogo evangélico canadense das tradições anglicana e calvinista. Packer morreu em 17 de julho deste ano, aos 93 anos. Também neste ano, a editora Vida Nova lançou o livro “Fé Ativa - o discipulado que produz cristãos que levam Deus a sério”, de sua autoria.



Já no prefácio, J. I. Packer traz informações que nos servem como uma ótima ilustração para um problema muito sério que envolve a fé cristã. Packer escreve que no mundo ocidental, o apreço por uma boa alimentação é notável, visto que por todos os lados encontramos restaurantes, cafés, redes gigantes de fast-food, supermercados, além de políticas alimentares, movimentos sociais e muitos livros buscando criar uma cultura de alimentação e de consumo mais saudável.



No entanto, a abundância alimentar não é uma realidade em todo o mundo. Packer nos lembra de que existem lugares onde pessoas possuem somente o básico para sobreviver e muitas passam fome - cerca de um terço da população mundial, equivalente a 2 bilhões de pessoas. Essas pessoas, segundo Packer, não passam fome o tempo todo, como podemos imaginar; elas até conseguem burlar a fome com uma dieta muito fraca, mas que por outro lado, tira-lhes o brilho dos olhos, os tornam desanimados para viver, abatidos e incapazes física e intelectualmente.



Packer, então, aplica essa realidade física ao estado espiritual dos cristãos do século 21. Ele escreve, expressando sua preocupação: “A cada ano que passa, sinto-me cada vez mais aflito diante da sensação de que cristãos ocidentais mais conservadores, tanto protestantes quanto católicos romanos estão, se não em estado de inanição, ao menos gravemente subnutridos.” Ou seja, para Packer os cristãos atuais não estão se alimentando da Palavra de Deus (Mt 4.4) como deviam, estão apenas sobrevivendo sem vigor nenhum.



O mais impressionante é que o caso dos cristãos não é de ausência de alimento, pois como disse o piedoso Leonard Ravenhill (1907-1994) em seu sermão Agonia, “Eu acredito que temos centenas de milhões de fitas cassetes gospel e milhões de livros gospel, centenas de escolas bíblicas, centenas de seminários todos os anos, pessoas memorizando as Escrituras, 5.000 estações de rádio que fornecem diariamente alguma parte das Escrituras e ainda com todas essas coisas para nos alimentar 95% de nós são aleijados espirituais.”



Isso significa que não nos falta alimento, mas que estamos - de forma consciente e constante - negligenciando a prática do “(...) ensino deliberado e sistemático das verdades segundo as quais os cristãos são chamados a viver, associado à instrução, igualmente deliberada e sistemática, sobre como devem cumprir esse chamado.” Packer denomina esse ministério pastoral fundamental de catequese (do grego κατήχησις, também derivado do verbo κατηχέω que significa "instruir a viva voz").



Se você é um cristão disciplinado, é possível que já tenha percebido que entre a cristandade - católicos e evangélicos - existe um crescente movimento de rejeição ao estudo e a educação formal e profunda das Sagradas Escrituras. Você também já deve ter notado que o resultado disso é um notório analfabestimo bíblico e teológico. Poucos - se não somente aqueles que se dedicam aos serviços voltados diretamente para a esfera eclesiástica como pastores, padres, bispos, diáconos etc. - possuem um conhecimento mais sólido da Palavra de Deus. Até mesmo os neopagãos acadêmicos estão superando os cristãos em conhecimento teológico.



E por quê isso ocorre? Seria simplesmente uma falta de amor às Escrituras? Seria a mera ausência de um ministério pastoral catequético? Minha tese é de que - entre as causas já apontadas acima como negligência e ausência de catequese - existem pelo menos duas razões que atualmente promovem o definhamento espiritual e que desestimulam os cristãos à prática do estudo bíblico: Teologia da Prosperidade e Espiritualidade Mística.



Em primeiro lugar, a Teologia da Prosperidade colabora com a inanição espiritual porque fomenta o crescimento da grande parcela já existente daqueles que se dizem cristãos, que frequentam igrejas, fazem profissões de fé e vivem em um contexto cristão mas não são, de fato, cristãos. Eles não passaram pelo novo nascimento (Jo 3.3) e portanto não possuem um coração que tem “o seu prazer (..) na lei do Senhor” (Sl 1.2). Eles não desejam conhecer a natureza, o poder e a glória de Deus.



Os tais - justificados pela TP - buscam a Deus pensando apenas em si mesmos, naquilo que podem ganhar ao frequentarem uma igreja. Eles, conforme disse o pregador Paul Washer, são geralmente conhecidos pelo lema: “Eu só quero Jesus, não quero doutrina!”, o que significa que buscam apenas os benefícios da pessoa de Jesus Cristo e não o seu senhorio para a vida. Eles são semelhantes às multidões da Palestina que buscavam o Cristo apenas para obter pão, peixes, milagres e maravilhas.



Assim, o desconhecimento das doutrinas de Deus é evidente e esperado naqueles que congregam em igrejas onde a TP é ensinada. Esse tipo de concepção da fé faz da religião cristã um negócio, uma transação puramente mercadológica entre oferta e demanda. Não há amor, temor e aspiração pelo Ser de Deus e seus caminhos, se não pelas suas bênçãos materiais.



Em segundo lugar, temos a Espiritualidade Mística com uma enorme contribuição dos pentecostais e neopentecostais evangélicos. Baseados em uma leitura equivocada de 2 Coríntios 3.6, Romanos 11.33 e outras passagens, a Espiritualidade Mística passou a ser ensinada aos fiéis, transmitindo a ideia de que deveriam evitar o estudo teológico da lei de Deus e o aprofundamento no conhecimento do conteúdo das escrituras. Em lugar disso, o crente - educado na EM - deve buscar uma experiência sensorial e emocionalista com Deus. Uma espiritualidade mais subjetiva e mística.



Atualmente, outros movimentos como a Renovação Carismática Católica (RCC) e a entrada da Teologia Liberal nas igrejas brasileiras com sua rejeição da inspiração e autoridade das Escrituras, também tem contribuído para uma Espiritualidade Mística e um baixo nível de conhecimento bíblico e teológico. Os místicos eram cristãos dos primeiros séculos - como São Gregório de Nissa com sua mística do “não-saber” - que acreditavam num lançar-se em um relacionamento com Deus para além do mundo sensível e do inteligível.



Na EM o cristão vive num ritmo de êxtase-êxtase, guiando sua piedade - decisões, ações e reações - por suas emoções, geralmente estimulada por efeitos sensitivos, como músicas agitadas ou muito calmas, abraços, carinhos, gritos, lágrimas e contemplação. A razão na EM é dispensada e tida como impeditiva nos exercícios espirituais, pela sua limitação e incapacidade de explicar Deus e suas ações (a famosa música “Ninguém explica Deus” de Gabriela Rocha é um grande exemplo das novas formas de misticismo).



Por fim, a consequência lógica de uma Espiritualidade Mística é o desestímulo dos exercícios de reflexão, análise e interpretação rigorosa das Escrituras - do acervo de informações sobre o caráter e os atos da Trindade -, dando lugar às experiências etéreas, obscuras, irracionais e sentimentais que só podem ser validadas ou explicadas por aquele que as vive. Não é sem razão que aqueles que estão na EM costumam dizer que cada um tem sua “intimidade” com Deus.



Sendo assim, alguns notáveis exemplos modernos das consequências da EM são as famosas revelações particulares e bombásticas, as experiências com visões e sonhos, o efeito de cair no Espírito, o dom de falar em língua de anjos, a unção do riso, cultos especiais para identificação de espíritos e expulsão de demônios, céu no teto da igreja, e outras inúmeras experiências pseudocristãs que eu já vivi e ouvi falar. Todas elas se encontram em profunda contradição com o ensino completo e racional das Sagradas Escrituras e não por outro motivo aqueles que vivem dessas práticas são conhecidos por ignorar o precioso alimento espiritual: a Bíblia.



Fonte: Jornal o Regional
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