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O que pensar do Exército Brasileiro?:

“Não creias que possa deixar de agradar a Deus alguém que se dedica à vida das armas [...]”
São Tomás de Aquino (1225-1274)


 


O papel e o valor do Exército Brasileiro na história política têm passado por grandes revisões, reinterpretações e negações por longos anos. Verificamos claramente nos livros, materiais didáticos, revistas e jornais que os eventos mais importantes do Exército Brasileiro – como a FEB e o 1964 – estão sendo cada vez mais manipulados ou negligenciados por ideólogos disfarçados de historiadores. Vemos isso, quando presenciamos dois dos eventos mais importantes do nosso Exército tratados com amadorismo crítico e ausência de honestidade intelectual por homens de letra.



Analises que tem praticamente ignorado, nos livros de história e materiais didáticos, a importância fundamental da Força Expedicionária Brasileira (FEB) criada em 1943 para agir na Itália. Na ocasião, a nossa força militar desempenhou importante papel para o desfecho da Segunda Guerra Mundial, entre o fim de 1944 e o início de 1945. Porém, esse dado tem sido amplamente ignorado e sempre que possível minimizado na presença dos jovens alunos de História.



Distorções e seletividade também compõem a análise do polêmico Golpe de 1964. Professores que uma vez defenderam a tese de que “(...) o golpe de 1964 fora um ato perpetrado pelos militares com o intuito de destruir a organização sindical dos trabalhadores, de acabar com as organizações estudantis e imbecilizar a população brasileira, criando as condições políticas adequadas para entregar a pátria ao imperialismo americano e deixar a população alienada”, agora estão tendo que lidar com os contrapontos dessa narrativa hegemônica. Alguns livros como “1964 O elo perdido: o Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista” de Vladimir Petrilákou o “Golpe de 1964: o que os livros de História não contaram” de Itamar Flávio da Silveira revelam aspectos obscuros de grupos que se opunham de forma criminosa e violenta ao Regime Militar, revelando uma grande inflamação e seletividade na análise desses docentes.



Infelizmente, sabemos que a história sempre foi e sempre será uma ferramenta poderosa nas mãos de ideólogos para manipular e chegar ao poder, mas cabe ao historiador honesto seguir o sábio conselho do escritor e filósofo romano Marco Túlio Cícero (106 a.C - 43 a.C): “Que o historiador não ouse dizer uma mentira, nem esconder uma virtude.” O que digo com base na vasta bibliografia é quetanto em 1945 como em 1964, ocorreram situações positivas e negativas envolvendo o poder militar brasileiro. É inegável sua importância, mas também irreversível que tenham cometidos excessos.



Contudo, a despeito da sua direcionalidade - isso é, o rumo que o Exército tomou na história - me é útil discorrer sobre sua estrutura, ou seja, sua necessidade e mandato divino para a ordem social e política. É lamentável que devido esses abusos ideológicos com as fontes a sociedade acadêmica e civil tenha aprendido equívocos sobre a natureza do Exército. Creio que para fazer uma crítica mais justa às forças armadas não é preciso ideologia mascarada de ciência, mas de uma sólida cosmovisão baseada na teologia bíblica que reconhece a autoridade das Escrituras sobre o assunto.



Na carta de Paulo aos Romanos, o apóstolo escreve sobre a autoridade instituída por Deus. A autoridade aqui – o Estado – é vista como ministro do Senhor que traz a espada contra quem faz o mal [Romanos 13:1-”5]. De modo semelhante, o apóstolo Pedro, em sua primeira carta, registrou que essa autoridade é para castigo dos malfeitores e louvor dos que praticam o bem[1 Pedro 2.14]. Um breve exame histórico-cultural desses dois textos nos ajudam a entender que Paulo e Pedro estavam se referindo ao Estado Romano. Apesar de estar aparelhado por pagãos naquela ocasião da Igreja Primitiva, os apóstolos nos dizem que foi Deus quem instituiu o Estado, e o Estado, para quem faz o mal, não sem motivo traz a espada do juízo. A espada aqui é “ministro de Deus”, vingador e castigador do que pratica o mal. Entretanto, que espada é essa? “



Segundo o teólogo e professor de Novo Testamento Craig S. Keener, a “(...) espada refere-se ao método de execução padrão no período (a decapitação); em épocas anteriores, usava-se o machado. As espadas eram levadas à frente dos oficiais romanos para indicar sua autoridade sobre a vida e a morte.” A “espada” também se trata de uma descrição genérica do poder comum do Exército do Estado Romano, das suas forças armadas. Historicamente, o Exército Romano Antigo consistia em: 1) unidades de infantaria romana (legiões); e 2) tropas aliadas formadas por não romanos (tropas auxiliares [auxilia]). A infantaria sempre foi a arma mais antiga do Exército e geralmente dotada dos maiores efetivos.



Sendo assim, a “espada” que lemos em Romanos pode ser exatamente entendida como a infantaria do poder militar do Estado, que tem como finalidade cumprir um propósito divino de punir o mal com a morte e louvar os que praticam o bem, com a segurança e honras.De forma semelhante, o Exército Brasileiro é o que chamamos de forças armadas de nossa República. Ele está dividido exatamente em Armas, Quadros e Serviços. A parte das Armas divide-se em “Armas-Base” (Infantaria e Cavalaria) e “Armas de Apoio ao Combate” (Artilharia, Engenharia e Comunicações) que complementam a missão das armas-base.



À luz das Escrituras, devemos entender a função do Exército como essencial na manutenção da justiça e da punição das injustiças. Ele é servo ou ministro de Deus, e lhe cabe compreender este papel solene com temor e reverência ao Senhor. Trata-se de reconhecer – tanto civis como soldados – que o militarismo é um chamado de Deus para amar com a justiça e servir com a verdade à nação e a sociedade. Quando esse chamado se desvirtua e é direcionado à injustiça, é preciso que haja arrependimento, mas nunca dissolução.



Em homenagem ao 51º Batalhão de Infantaria de Selva – 51º BIS, Altamira, Pará. Nosso “Braço Forte” e nossa “Mão Amiga”.



Fonte: Jornal o Regional
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