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O Fascismo:

Os Antifas voltaram a atacar nos EUA, surfando nas ondas de protestos, desencadeados pela morte de George Floyd. Aqui no Brasil, o movimento também ganhou força nas ruas e na internet. Usuários do Facebook, Twitter e Instagram, das mais diferentes áreas profissionais e segmentos sociais estão trocando os perfis nas redes por símbolos antifascistas e aderindo a hashtag #AntiFascista. Como pesquisador, digo que é lamentável que tanta gente esteja militando contra um espantalho. Essa situação denuncia uma enorme crise do conhecimento histórico de nossa sociedade. O Fascismo histórico pode ser rastreado hoje em dia, em algum governo ou instituição? Especialistas no assunto “Fascismo” dizem que não; e pontuam as características dessa ideologia. Primeiro, é preciso lembrar, como escreveu Marc Bloch (1886-1944) em Apologia da História, que “para grande desespero dos historiadores, os homens não têm o hábito, a cada vez que mudam de costumes, mudar de vocabulário.” Portanto, estamos sempre correndo o risco de perpassar as mesmas conotações a situações diferentes, e em muitos casos, pasmem, totalmente opostas! Os Antifas - na luta contra conservadores e liberais - estão considerando agendas de governos desta linha como agendas fascistas. Esse equívoco precisa ser corrigido.



O termo “fascismo” deriva do italiano “fascio” que significa “feixe”. Surgiu com o líder do Partido Nacional Fascista, Benito Mussolini (1883-1945) para expressar sua ideologia. O fascio, na Roma Antiga, era um feixe de varas onde os legisladores carregavam as leis, simbolizando uma unidade nacional.


 


Conforme o historiador marxista Eric Hobsbawm (1917-2012), o Fascismo histórico é produto específico do colapso econômico entre as guerras; um movimento político muito ímpar, característico do período 1919-1945. O fascismo pode ser condensado como: antiliberalismo, anticapitalismo (com ressalvas) nacionalismo exacerbado, com uma liderança suprema, o “duce” ou “fuhrer”.Para o escritor e filósofo italiano Umberto Eco (1932-2016), em seu livro O Fascismo Eterno: “O fascismo foi certamente uma ditadura [...] O artigo sobre o fascismo assinado por Mussolini para a Enciclopédia Treccani foi escrito ou inspirou-se fundamentalmente em Giovanni Gentile, mas refletia uma noção hegeliana tardia do ‘Estado ético absoluto’, que Mussolini nunca realizou completamente.” Conforme Eco, o Fascismo histórico é produto da tentativa de se concretizar uma pretensão totalitária da participação do Estado na sociedade, com fundamentação na noção hegeliana - um Estado forte e absoluto. Esse entendimento de Eco é reforçado, tendo em vista uma das célebres frases de Mussolini: “É necessário além do partido único, um Estado totalitário, isto é, um Estado que absorve para transformar e fortalecer todas as energias, todos os interesses, todas as esperanças de um povo.”



Uma grande escritora que rastreou as características totalitárias do Fascismo foi Hannah Arendt (1906-1965), em seu livro Origens do Totalitarismo. Segundo ela, Mussolini insistia em que “[...] espiritual ou materialmente não existiria atividade humana fora do Estado, nesse sentido o fascismo é totalitário.” Já Robert O. Paxton - cientista político e historiador - em A Anatomia do Fascismo, defende que o Fascismo tinha características de vitimização de grupo que resultavam numa política de violência compensatória, sem preocupação com as leis éticas: “[...] o fascismo pode ser definido como uma forma de comportamento político [...] vista como vítima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza [...] repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza”.



Por fim, Emilio Gentile, um historiador italiano especializado na ideologia do Fascismo, adverte que não convém usar o termo fascismo para criticar movimentos atuais, só porque se colocam à Extrema-Direita: “Acredito que se faz confusão entre o termo fascismo para se referir a qualquer movimento de extrema direita racista, nacionalista e antissemita com aquilo que foi o fascismo histórico, um regime totalitário nacionalista, racista e antissemita, mas com características próprias ligadas a experiências da Itália, Alemanha e outros movimentos de extrema direita que se inspiravam no fascismo do período entre a 1.ª Guerra (1914-1918) e a 2.ª Guerra (1939-1945).” Ele conclui: “Hoje não existem movimentos que desejem instaurar um regime totalitário com um partido armado e um programa de guerra imperialista. Essa é a característica fundamental do fascismo histórico.”



Concluo, apontando para o fato de que, se todo movimento ou ideologia atual que use alguma dessas características for considerado fascista, o próprio conceito de “Fascismo” deixa de existir e perde seu sentido histórico objetivo. Creio que nem mesmo os Antifas - apesar das características acima apontadas se encontrarem muito mais nesse movimento radical e nas esquerdas do que nas direitas - possa ser considerado um movimento propriamente Fascista. Talvez protofascista seja o melhor termo. Porém, sempre com muito cuidado. Precisamos entender a guerra semântica em que vivemos hoje, onde indivíduos de forma abjeta e irresponsável usam termos políticos a torto e a direito sem se preocupar com seu sentido correto. Devemos buscar fazer um bom uso dos termos políticos em nossas reivindicações sociais.



Fonte: Jornal O Regional
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