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Primeira harpia do Refúgio de Itaipu completa 10 anos e simboliza o sucesso do programa de reprodução:

Em uma década do Programa de Reprodução da Harpia, nasceram 31 aves no Refúgio Biológico Bela Vista, que concentra o maior plantel da espécie no País.



Ela pesava 80 gramas e cabia com sobra na palma de uma mão aberta quando nasceu, há 10 anos. Hoje, a primeira harpia (Harpia harpyja) reproduzida no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) é um gigante de quase cinco quilos e 90 centímetros de altura. A ave representa o sucesso do Programa de Reprodução de Harpias de Itaipu, o maior do mundo.



Quando nasceu, em 15 de janeiro de 2009, a harpia era o primeiro caso bem-sucedido de reprodução da espécie em cativeiro no Sul do País. De lá pra cá, nasceram outras 31 aves – o último nascimento foi há menos de uma semana, no dia 13 de janeiro de 2019. No total, o plantel de Itaipu é formado por 34 harpias, sendo 24 filhotes nascidos no local. Muitas aves foram doadas para várias instituições parceiras.



“Nosso programa é o único no mundo que mantém uma reprodução continuada da espécie. Em outras instituições, há dois ou três nascimentos, mas não é mantida a reprodução de forma constante”, explica o biólogo da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu Marcos de Oliveira, especialista no manejo de aves de rapina e que está no programa desde o início.



De acordo com ele, atualmente quase 30% de todas as harpias mantidas em cativeiro no País estão no plantel de Itaipu. E das 36 instituições, espalhadas pelas cinco regiões brasileiras, que mantêm harpias em cativeiro, apenas 10 já tiveram resultados de reprodução. Nenhuma com a continuidade e expressividade do programa de Itaipu.



Casal pioneiro
Os esforços de reprodução de harpias na binacional começaram em setembro de 2000, com a chegada da primeira ave no RBV. O macho foi resgatado de uma caixa de papelão, na BR-277, próximo ao Bairro de Três Lagoas, em Foz do Iguaçu (PR). Em março de 2002, chegou a fêmea, resultado de operações contra o tráfico de animais silvestres, em Juazeiro (BA). Ela foi levada ao Zoo de Brasília (DF) e, depois, à Itaipu.



Em julho de 2004, as harpias foram colocadas em recintos próximos para começar a formar o casal. A primeira postura foi em 2006, com outras na sequência. Mas o filhote não vingava porque os pais não o alimentavam. Foi então que a equipe do Programa de Reprodução resolveu mudar o protocolo: retirou o filhote do recinto dos pais e começou a alimentar com pinças, além de mantê-lo em uma incubadora com temperatura e umidade controladas.



“O protocolo de criação em cativeiro é o mesmo desde o início, mas, com o tempo, foi sendo aprimorado”, explica Marcos de Oliveira. Um dos cuidados na alimentação é se esconder atrás de uma cortina para que a ave não associe a figura e a voz humana ao fornecimento de alimento, a partir de algumas semanas de vida, quando a visão melhora. A comida é ministrada cinco vezes ao dia, nas primeiras semanas. Com o passar do tempo, a periodicidade é diminuída e a quantidade de alimentos aumentada.



A técnica deu certo e a reprodução de harpias engrenou. De 2009 pra cá, todo ano tem nascimento – só do casal original foram 22 nascidos. Em 2017, aconteceu o primeiro nascimento de uma harpia cuja mãe também é nascida em cativeiro, feito inédito na América do Sul. Aliás, o filhote pioneiro, aquele de 15 de janeiro de 2009, já é pai de dois filhotes. Ao lado de uma fêmea trazida do Pará, ele forma um dos seis casais reprodutores de harpias do Programa de Reprodução.



Voo alto


Após 10 anos, o Programa de Reprodução de Harpias da Itaipu pode considerar cumprida uma etapa. Atualmente, ele é um fornecedor de espécimes para várias instituições ambientais. E ainda em 2019 vai acontecer a primeira exportação: um casal será doado ao ZooParc Beauval, da cidade de Saint-Aignan, na França.



Embora os esforços em reprodução continuem, o objetivo, agora, é dar o passo adiante para, num futuro próximo, devolver as aves nascidas em cativeiro à natureza. “Já temos animais com idade compatível para entrar em um programa de soltura”, explica Oliveira. “É preciso finalizar o processo, criar um recinto no meio da floresta longe do contato humano, colocar presas vivas para as aves caçarem.”



Segundo ele, as aves precisam estar expostas a situações naturais, como procura de comida ou a proteção da chuva e do sol. O Programa já está em contato com outras instituições para encontrar locais onde seriam feitas estas solturas.



Outra intenção é a criação de um recinto especial no RBV para dar condições de o casal aprender a alimentar o filhote. Seria um passo a mais na intenção de soltura da ave. O casal pioneiro, aqueles que começaram esta história em janeiro de 2009, seria colocado neste recinto especial. Talvez um prêmio após dez anos contribuindo com a preservação da espécie.



Fonte: Jornal O Regional
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